O ANIMAL fez um teste e resolvi seguir-lhe o exemplo...
E já que se estava numa de revelações, toca de saber que grande líder seria. Resultado: é melhor manter-me BEM LONGE do poder... pela minha própria segurança, entenda-se... Suspiro...
quinta-feira, maio 13, 2004
quarta-feira, maio 12, 2004
Tempo pra Gastar
Suponho que a maioria das pessoas anda descontente com a sua vida. Hoje, dois patetas, cada um no seu carro, parados no meio da estrada, trocavam insultos, com isso criando um caos maior no trânsito do que aquele que se vive no momento.
Gastavam o seu tempo em insultos e agressividades. A seguir, vão para um emprego, irritados com os acontecimentos da manhã, pensando que o dia já começou mal. E qualquer coisa que corra pelo pior, vão pensar 'que há dias em que não vale a pena sair da cama'. Têm tempo para gastar em infelicidades.
Claro que se todos fôssemos budistas, ou esperancistas, positivos ou qualquer filosofia do género, pensaríamos em tirar todo o proveito possível da vida. Mas andamos de tal modo embrulhados neste modus vivendi que não conseguimos pensar de outro modo. E não há interesse em fazê-lo de outro modo.
Vejamos, a publicidade é uma desgraça: numa altura de crise, andam a atirar-nos aos olhos, a preços fantásticos, produtos perfeitamente inúteis. Se alguns podem comprá-los, outros sentem-se frustrados por não poderem adquiri-los, porque não se podem dar ao luxo de gastar alguns trocos em futilidades. Não podem ser fúteis. E, logicamente, quanto menos as pessoas têm para gastar, mais se tenta vender. O círculo é vicioso. E muito pouco aliciante.
Pode culpar-se quem vive triste e frustrado e que tem como forma de exteriorizar tudo isso a agressividade, o dar atenção a pormenores que de outra forma talvez sejam ridículos? Ou estão as pessoas demasiado acomodadas a um estado de espírito, sem se questionarem, pensando, no entanto, que o fazem?
Gastavam o seu tempo em insultos e agressividades. A seguir, vão para um emprego, irritados com os acontecimentos da manhã, pensando que o dia já começou mal. E qualquer coisa que corra pelo pior, vão pensar 'que há dias em que não vale a pena sair da cama'. Têm tempo para gastar em infelicidades.
Claro que se todos fôssemos budistas, ou esperancistas, positivos ou qualquer filosofia do género, pensaríamos em tirar todo o proveito possível da vida. Mas andamos de tal modo embrulhados neste modus vivendi que não conseguimos pensar de outro modo. E não há interesse em fazê-lo de outro modo.
Vejamos, a publicidade é uma desgraça: numa altura de crise, andam a atirar-nos aos olhos, a preços fantásticos, produtos perfeitamente inúteis. Se alguns podem comprá-los, outros sentem-se frustrados por não poderem adquiri-los, porque não se podem dar ao luxo de gastar alguns trocos em futilidades. Não podem ser fúteis. E, logicamente, quanto menos as pessoas têm para gastar, mais se tenta vender. O círculo é vicioso. E muito pouco aliciante.
Pode culpar-se quem vive triste e frustrado e que tem como forma de exteriorizar tudo isso a agressividade, o dar atenção a pormenores que de outra forma talvez sejam ridículos? Ou estão as pessoas demasiado acomodadas a um estado de espírito, sem se questionarem, pensando, no entanto, que o fazem?
segunda-feira, maio 10, 2004
Caminhos de Blogs
Ainda ontem estava para desistir. Desistir dos blogs, de escrever. Tenho a perfeita noção de que metade (ou mais) do que aqui está é para ir para o lixo. As tentativas falhadas de humor, a tentativa falhada de mostrar as minhas ideias.
Mas entretanto, por hábito, talvez, vício, sem dúvida, vou continuando a arriscar, a procurar, a encontrar.
Uma amiga minha conduziu-me a este universo, onde vou entrando a pouco e pouco, lentamente, por vezes identificando-me, por outras nem por isso, mas aprendendo com o que vou descobrindo e às vezes descobrindo coisas em mim que nem pensava existirem. Por seu lado, foi através dele que cheguei a este e mais uma vez a um novo género de identificação. Talvez os caminhos, no fundo estejam todos delineados. Apenas temos que os encontrar e trilhar.
Talvez seja demais dizer que a blogoesfera é um caminho para a evolução, mas ao conhecermos novas maneiras de pensar, ao permitirmo-nos aprender com os conhecimentos dos outros, estamos a dar mais um passo.
A pergunta que me fica, é, no entanto, esta: 'e importa mais à maioria procurar os pensamentos dos outros, ou apenas manifestar os seus?'
Ps- Vale a pena ouvir as 'Músicas da Judiaria'.
Mas entretanto, por hábito, talvez, vício, sem dúvida, vou continuando a arriscar, a procurar, a encontrar.
Uma amiga minha conduziu-me a este universo, onde vou entrando a pouco e pouco, lentamente, por vezes identificando-me, por outras nem por isso, mas aprendendo com o que vou descobrindo e às vezes descobrindo coisas em mim que nem pensava existirem. Por seu lado, foi através dele que cheguei a este e mais uma vez a um novo género de identificação. Talvez os caminhos, no fundo estejam todos delineados. Apenas temos que os encontrar e trilhar.
Talvez seja demais dizer que a blogoesfera é um caminho para a evolução, mas ao conhecermos novas maneiras de pensar, ao permitirmo-nos aprender com os conhecimentos dos outros, estamos a dar mais um passo.
A pergunta que me fica, é, no entanto, esta: 'e importa mais à maioria procurar os pensamentos dos outros, ou apenas manifestar os seus?'
Ps- Vale a pena ouvir as 'Músicas da Judiaria'.
domingo, maio 09, 2004
Vagabundo
Em nenhuma
parte
da terra
me posso
fixar
A cada
novo
clima
que encontro
conheço
com tédio
que
uma vez
já me tinha
habituado
E me separo sempre
estrangeiro
Nascendo
o regressar de épocas por demais
vividas
Gozar um só
minuto de vida
inicial
Procuro um país
inocente.
Giuseppe Ungaretti, tradução de Jorge de Sena
parte
da terra
me posso
fixar
A cada
novo
clima
que encontro
conheço
com tédio
que
uma vez
já me tinha
habituado
E me separo sempre
estrangeiro
Nascendo
o regressar de épocas por demais
vividas
Gozar um só
minuto de vida
inicial
Procuro um país
inocente.
Giuseppe Ungaretti, tradução de Jorge de Sena
Van Helsing
É pá! Mata lá o bicho que é para podermos ir jantar! Acreditem, não é assim tão bom como isso...
Este é que é o má lindo.
Este é que é o má lindo.
SLB (Santana Lopes a Belém)!!!!!!!!!
E depressa, que é para ver se ele deixa de fazer coisas por Lisboa!
sexta-feira, maio 07, 2004
segunda-feira, maio 03, 2004
Les triplettes de Belleville
Passei-me! Fui ver Les Triplettes de Belleville e passei-me. A música, as personagens, são verdadeiros momentos de genialidade! A forma como nos apresentam Nova Iorque e Paris, num cenário de fantasia, está brilhante. Delicioso é o sentido de humor com que foi criada a história. Brilhante.
E afinal, os emigrantes portugueses não são assim tão mal vistos lá fora como isso. É o exemplo da Madame Souza como uma portuguesa de fibra, mas ao mesmo tempo de uma doce e cândida entrega.
Uma aventura cinematográfica e sonora.
Todos ao Cinema!
sábado, maio 01, 2004
ENGANEI-ME
Afinal esses exploradores do proletariado obrigam quase todos a trabalhar no dia do trabalhador!!! Até as lojas de roupa estão abertas! parece impossível! se não dão aos desgraçados dos trabalhadores um descansozito, como podem esperar que o país evolua?!
Será que ao menos recebem horas extraordinárias?
Será que ao menos recebem horas extraordinárias?
Dia do Trabalhador
O único dia em que se justifica trabalhar, é o dia em que ninguém trabalha, e pior ainda: em que NINGUÉM FAZ GREVE!!!!! Como é que querem que o país avance? Haja paciência...
segunda-feira, abril 19, 2004
e ata
Não é '25 de abril, 30 de anos de evolução', como esc evi no blog... é '25 de Abril é evolução'... ve dade seja dita, vai tudo da ao mesmo! Afinal, vota am o 'R' em banco ou não?!
sábado, abril 17, 2004
O Voto em Branco
Será que no cartaz do 25 de Abril, 30 anos de evolução, o 'r' foi votado em branco?
sexta-feira, abril 16, 2004
As Horas
Acabei de ler o famoso livro do Cunnigham, que deu origem a um ainda mais famoso filme... mas para meu desalento, o filme é mais significativo, mais poético, mais envolvente do que o livro.
O que me confunde é toda a comoção criada em redor de um livro que relata um dia na vida de Virginia Woolf. O dia em que ela decide morrer. Porque ao chegar ao final da obra, senti que era vazia. Que o autor poderia ter explorado melhor a riqueza do tema. Que a forma como foi passada ao cinema me pareceu melhor. E que, pela primeira vez, para minha tristeza, tinha preferido uma versão cinematográfica ao seu original literário.
O que me confunde é toda a comoção criada em redor de um livro que relata um dia na vida de Virginia Woolf. O dia em que ela decide morrer. Porque ao chegar ao final da obra, senti que era vazia. Que o autor poderia ter explorado melhor a riqueza do tema. Que a forma como foi passada ao cinema me pareceu melhor. E que, pela primeira vez, para minha tristeza, tinha preferido uma versão cinematográfica ao seu original literário.
quinta-feira, abril 15, 2004
Tom Waits - Laivos de Nostalgia
Está aí o verdadeiro exemplo do bardo patético. Como é que alguém com aquela voz, pode ser um sentimental daquele calibre? É só bebedeiras e corações partidos. E pergunto-me porque raio, venho eu falar de um gajo que não nos deslumbra há uma porrada de tempo...
Já o Nick Cave, esse ainda mexe (pouco, a bem da verdade) mas ainda faz aí umas coisitas, ainda nos deslumbra. O que é que se está a passar, que os monstros estão a desaparecer...
Já o Nick Cave, esse ainda mexe (pouco, a bem da verdade) mas ainda faz aí umas coisitas, ainda nos deslumbra. O que é que se está a passar, que os monstros estão a desaparecer...
sábado, abril 10, 2004
A Lucidez
Não entendo porque diabo tem de vir o Saramago e escrever um livro sobre o voto em branco, para ficar o país inteiro em pulvorosa. De repente, as almas pensadoras deste país erguem-se com teorias acerca do voto em branco, como se, subitamente, alguém tivesse provado, a existência (ou não) de deus e todos têm que dar opinião.
O que é que se passa com esta gente? Quer isto dizer que de repente tem que aparecer alguém a escrever sobre o que aconteceria se a maioria votasse em branco, para o país despertar para essa realidade? E porquê tanta agitação? Porventura imaginam que a massa abstencionista vai dar-se ao trabalho de ir votar em branco? Só porque leu o livro do Saramago? E o compreendeu?
Tanta coisa séria para se discutir e continuamos a falar do sexo dos anjos. Se ainda o tivessem...
O que é que se passa com esta gente? Quer isto dizer que de repente tem que aparecer alguém a escrever sobre o que aconteceria se a maioria votasse em branco, para o país despertar para essa realidade? E porquê tanta agitação? Porventura imaginam que a massa abstencionista vai dar-se ao trabalho de ir votar em branco? Só porque leu o livro do Saramago? E o compreendeu?
Tanta coisa séria para se discutir e continuamos a falar do sexo dos anjos. Se ainda o tivessem...
sexta-feira, abril 09, 2004
A Terapia
A ideia do Blog é absolutamente genial. Confesso que me entusiasma muito poder vir para aqui, escrever o que me passa pela cabeça, descarregar as raivas, o mau humor, tudo o que penso e que me apetece pensar, sem ter que me preocupar com mais nada.
Um gajo vem para aqui, deita o que lhe apetece para fora e como acha que pode ser lido, à partida está garantido que descarregou com alguém. Ou seja, sente que largou tudo para cima de outro, o que é muito terapêutico. Partilhou (nestes tempos 'partilha' é das palavras mais importantes do nosso léxico/dicionário/verborreia) as suas preocupações, raivas, ideias. Limpou-se, purificou-se do seu lado negativo. De graça, sem se preocupar em ofender pessoas de quem gosta, sem se preocupar em ser descoberto pelo chefe, ou seja por quem for.
Melhor que isto só o Woody Allen e as suas curas cinematográficas.
Mas suponho que o tratamento do Allen não teve bons resultados. Hoje olhamos para o homem e ele está ainda pior do que há 25 anos atrás. Continua a falar até à exaustão. Não há paciência.
Daí ter que recorrer ao meu malfadado cepticismo e perguntar se a terapêutica bloguista funcionará, ou não? O que eu acho que pode vir a acontecer é daqui a pouco andarmos todos literalmente 'desbocados', pelo menos os que recorrem a este tipo de tratamento. À medida que vamos aprendendo a exprimir tudo o que sentimos, corremos o risco de vir a sofrer de incontinência oral, porque se ninguém nos blog nos manda calar, ou nos responde na altura, ganhamos um vício. O de falar (como o Woody Allen) sem parar, dado que já escrevemos sem quaisquer tipos de preocupação.
Mas porque haveremos de estar preocupados? O Woody Allen não é rico? Pois... mas felizmente é só um...
Um gajo vem para aqui, deita o que lhe apetece para fora e como acha que pode ser lido, à partida está garantido que descarregou com alguém. Ou seja, sente que largou tudo para cima de outro, o que é muito terapêutico. Partilhou (nestes tempos 'partilha' é das palavras mais importantes do nosso léxico/dicionário/verborreia) as suas preocupações, raivas, ideias. Limpou-se, purificou-se do seu lado negativo. De graça, sem se preocupar em ofender pessoas de quem gosta, sem se preocupar em ser descoberto pelo chefe, ou seja por quem for.
Melhor que isto só o Woody Allen e as suas curas cinematográficas.
Mas suponho que o tratamento do Allen não teve bons resultados. Hoje olhamos para o homem e ele está ainda pior do que há 25 anos atrás. Continua a falar até à exaustão. Não há paciência.
Daí ter que recorrer ao meu malfadado cepticismo e perguntar se a terapêutica bloguista funcionará, ou não? O que eu acho que pode vir a acontecer é daqui a pouco andarmos todos literalmente 'desbocados', pelo menos os que recorrem a este tipo de tratamento. À medida que vamos aprendendo a exprimir tudo o que sentimos, corremos o risco de vir a sofrer de incontinência oral, porque se ninguém nos blog nos manda calar, ou nos responde na altura, ganhamos um vício. O de falar (como o Woody Allen) sem parar, dado que já escrevemos sem quaisquer tipos de preocupação.
Mas porque haveremos de estar preocupados? O Woody Allen não é rico? Pois... mas felizmente é só um...
domingo, março 28, 2004
Desabafo
Hoje não estou lá de muito bom humor
Porque é que a D. Lurdes não se candidata a Ministra das Finanças? Afinal, estamos a falar de uma senhora que consegue esticar o ordenado de 400 € do marido e governar uma casa o mês todo. A comprar pão, leite, carne, batatas, legumes, detergentes, e outras coisas necessárias para governar uma casa e ainda consegue ter os putos a estudar, vesti-los e alimentá-los. Quantos são lá em casa? Quatro... o que é que sabe quem ganha um ordenado de 2.500 € (suponho eu)? Certamente não vai às compras, muito menos sabe quanto custa o pão, os detergentes, o quanto tudo aumentou desde que a moeda mudou (menos os ordenados)...
Porque é que o Zé não é director da Carris? O Zé todos os dias apanha o autocarro, o metro, sabe o que é ser esmagado no meio dos outros Zés iguais a ele, sabe o que é ficar horas de pé, à espera de um transporte, sabe o que é andar horas a fio, a pé, num transporte, sabe o que é perder o último autocarro e depois ter de apanhar três para poder chegar a casa. O que sabe alguém que ocupa uma posição de topo, que só deve ter andado de transportes nas inaugurações para fazer bonito junto ao ministro e que se alguma vez tiver de o fazer, se perde certamente?
E porque é que não passa a ser a Teresa, quem decide quais as carreiras de autocarros que devem ser criadas, ou terminadas? A Teresa, que vive a mais de 20 minutos a pé de qualquer uma das estações de metro de Odivelas e do Senhor Roubado, que precisa de apanhar um transporte que dá uma volta imensa à cidade, porque alguns crâneos acharam que uma vez que há metro, se podem suprimir autocarros. Começa por um e quiçá acabam todos! Uma ideia brilhante. Esse génio deve certamente ter sido promovido. E com essa promoção comprou um carro melhor. O dele já estava velho com dois anos. E ele nem sequer pondera a possibilidade de andar de transportes públicos.
Porque é que não reduzem ao ordenado mínimo nacional, os vencimentos de todos os políticos que têm assento na Assembleia da República? Que sabe da vida real, quem dorme em cadeiras de couro? Como podem discutir o que sentem as pessoas, se só sabem ir à praça pedir beijos às peixeiras em tempo de eleições? Porque é que não passam recibo ao resto dos portugueses pelo ordenado que ganham? Afinal de contas, estão ou não estão a prestar um serviço à comunidade? Afinal de contas é ou não é o eleitorado quem lhes paga o ordenado? Divertem-se a aparecer na televisão, vetam decisões, impedem o país de chegar a qualquer lado, impugnam, chateiam, deitam areia para os olhos dos outros com lindas frases vazias, mas muito bem construídas. São momos a brincar com coisas sérias.
Porque é que não é obrigatória uma prova de aferição aos políticos? Porque é que não são obrigatórios testes psicotécnicos, a quem pensa que sabe e pode gerir um país?
Porque é que esta gente se cega com guerrinhas políticas, tal qual como no futebol, em vez de pensar que está mais do que na altura de chamar à responsabilidade aqueles que só fazem asneiras? Em vez de considerar que está mais do que na altura dos nossos políticos terem a humildade de aceitar o que o governo anterior fez de bem e com isso continuar para ver se de uma vez por toda chegamos a algum lado.
Porque é que o Governo não está interessado em que o país desenvolva? Porque é que não existe uma vontade de dar àqueles que têm potencial a oportunidade de fazerem alguma coisa pelo país, sem que tenham que ir para o estrangeiro provar o que valem? Porque é que se admite que seja a mediocridade a nivelar? Porquê tanto medo da competência?
Porque é que a D. Lurdes não se candidata a Ministra das Finanças? Afinal, estamos a falar de uma senhora que consegue esticar o ordenado de 400 € do marido e governar uma casa o mês todo. A comprar pão, leite, carne, batatas, legumes, detergentes, e outras coisas necessárias para governar uma casa e ainda consegue ter os putos a estudar, vesti-los e alimentá-los. Quantos são lá em casa? Quatro... o que é que sabe quem ganha um ordenado de 2.500 € (suponho eu)? Certamente não vai às compras, muito menos sabe quanto custa o pão, os detergentes, o quanto tudo aumentou desde que a moeda mudou (menos os ordenados)...
Porque é que o Zé não é director da Carris? O Zé todos os dias apanha o autocarro, o metro, sabe o que é ser esmagado no meio dos outros Zés iguais a ele, sabe o que é ficar horas de pé, à espera de um transporte, sabe o que é andar horas a fio, a pé, num transporte, sabe o que é perder o último autocarro e depois ter de apanhar três para poder chegar a casa. O que sabe alguém que ocupa uma posição de topo, que só deve ter andado de transportes nas inaugurações para fazer bonito junto ao ministro e que se alguma vez tiver de o fazer, se perde certamente?
E porque é que não passa a ser a Teresa, quem decide quais as carreiras de autocarros que devem ser criadas, ou terminadas? A Teresa, que vive a mais de 20 minutos a pé de qualquer uma das estações de metro de Odivelas e do Senhor Roubado, que precisa de apanhar um transporte que dá uma volta imensa à cidade, porque alguns crâneos acharam que uma vez que há metro, se podem suprimir autocarros. Começa por um e quiçá acabam todos! Uma ideia brilhante. Esse génio deve certamente ter sido promovido. E com essa promoção comprou um carro melhor. O dele já estava velho com dois anos. E ele nem sequer pondera a possibilidade de andar de transportes públicos.
Porque é que não reduzem ao ordenado mínimo nacional, os vencimentos de todos os políticos que têm assento na Assembleia da República? Que sabe da vida real, quem dorme em cadeiras de couro? Como podem discutir o que sentem as pessoas, se só sabem ir à praça pedir beijos às peixeiras em tempo de eleições? Porque é que não passam recibo ao resto dos portugueses pelo ordenado que ganham? Afinal de contas, estão ou não estão a prestar um serviço à comunidade? Afinal de contas é ou não é o eleitorado quem lhes paga o ordenado? Divertem-se a aparecer na televisão, vetam decisões, impedem o país de chegar a qualquer lado, impugnam, chateiam, deitam areia para os olhos dos outros com lindas frases vazias, mas muito bem construídas. São momos a brincar com coisas sérias.
Porque é que não é obrigatória uma prova de aferição aos políticos? Porque é que não são obrigatórios testes psicotécnicos, a quem pensa que sabe e pode gerir um país?
Porque é que esta gente se cega com guerrinhas políticas, tal qual como no futebol, em vez de pensar que está mais do que na altura de chamar à responsabilidade aqueles que só fazem asneiras? Em vez de considerar que está mais do que na altura dos nossos políticos terem a humildade de aceitar o que o governo anterior fez de bem e com isso continuar para ver se de uma vez por toda chegamos a algum lado.
Porque é que o Governo não está interessado em que o país desenvolva? Porque é que não existe uma vontade de dar àqueles que têm potencial a oportunidade de fazerem alguma coisa pelo país, sem que tenham que ir para o estrangeiro provar o que valem? Porque é que se admite que seja a mediocridade a nivelar? Porquê tanto medo da competência?
Uma questao de(s)educação
Estamos a assistir a um fenómeno extremamente curioso. Não sei se será um problema apenas meu, se outros também estarão atentos ao mesmo.
Neste momento, sinónimo de educação é dinheiro... ou por outra: quem tem dinheiro tem educação. O que quero eu dizer com isto: os portugueses são dos povos mais mal educados que existem. Falta-lhes civismo, sensibilidade, respeito, e outras qualidades. Mas, isto não é assim, se o português for rico. Ou seja, a partir do momento em que tem dinheiro (o que se reflecte em carros, roupas, e uma postura um tanto ou quanto arrogante - que muitos identificam como 'estilo endinheirado') fica-se automaticamente habilitado a fazer tudo o que passar pela cabeça: desrespeitar normas de trânsito, por exemplo, o que se justifica perfeitamente, dado que um Audi tem, logicamente, mais prioridade que um Fiat Punto.
São estes portugueses ricos que consideram que o dinheiro traz educação, que normalmente impingem ao resto das massas os mesmos conceitos. E a arrogância passa a substituir a delicadeza e a falta de chá a verdadeira educação.
O mais curioso disto, é um fenómeno chamado Paula Bobone. Uma criatura que por ter um certo estatuto social, considera ser educada, e que tenta passar essa mesma 'educação' ao resto de crédulos que a acha uma verdadeira messias das boas maneiras. Paula Bobone é das criaturas mais mal educadas que existe. Mas devemos até respeitar as suas boas intenções. Não suponho que o seu intento seja ganhar dinheiro a explorar a massa de ignorantes ávidos de conseguir algum estatuto social, mas sim, em nome de um verdadeiro sentimento cristão, ensinar as gentes que vivem em carvernas, a portarem-se como seres humanos.
Mas o que deveria ser realmente curioso, é o facto de muito poucos se indignarem com aquilo que Paula Bobone faz: denegrir as pessoas. Mas não é nada curiosa essa falta de indignação, porque o nosso povo vive para e de aparências. Prefere ser insultado, a assumir que de facto é dele que se está a falar. Aparece bem vestido e não tem que comer. Fala com um sotaque estranho, para se tentar identificar num círculo a que não pertence. Tenta a fama, para tentar pelo menos, fazer parte de algum grupo, já que aquele a que ele ambiciona pertencer, está-lhe vedado.
A verdadeira educação deveria prender-se com o saber respeitar os próximos. Por exemplo: saber respeitar os outros condutores. Não andar obcecado com aprender a segurar uma xícara de café sem o mindinho espetado (confesso que nesta altura, já não sei qual deles é sinónimo de educação).
Neste momento, sinónimo de educação é dinheiro... ou por outra: quem tem dinheiro tem educação. O que quero eu dizer com isto: os portugueses são dos povos mais mal educados que existem. Falta-lhes civismo, sensibilidade, respeito, e outras qualidades. Mas, isto não é assim, se o português for rico. Ou seja, a partir do momento em que tem dinheiro (o que se reflecte em carros, roupas, e uma postura um tanto ou quanto arrogante - que muitos identificam como 'estilo endinheirado') fica-se automaticamente habilitado a fazer tudo o que passar pela cabeça: desrespeitar normas de trânsito, por exemplo, o que se justifica perfeitamente, dado que um Audi tem, logicamente, mais prioridade que um Fiat Punto.
São estes portugueses ricos que consideram que o dinheiro traz educação, que normalmente impingem ao resto das massas os mesmos conceitos. E a arrogância passa a substituir a delicadeza e a falta de chá a verdadeira educação.
O mais curioso disto, é um fenómeno chamado Paula Bobone. Uma criatura que por ter um certo estatuto social, considera ser educada, e que tenta passar essa mesma 'educação' ao resto de crédulos que a acha uma verdadeira messias das boas maneiras. Paula Bobone é das criaturas mais mal educadas que existe. Mas devemos até respeitar as suas boas intenções. Não suponho que o seu intento seja ganhar dinheiro a explorar a massa de ignorantes ávidos de conseguir algum estatuto social, mas sim, em nome de um verdadeiro sentimento cristão, ensinar as gentes que vivem em carvernas, a portarem-se como seres humanos.
Mas o que deveria ser realmente curioso, é o facto de muito poucos se indignarem com aquilo que Paula Bobone faz: denegrir as pessoas. Mas não é nada curiosa essa falta de indignação, porque o nosso povo vive para e de aparências. Prefere ser insultado, a assumir que de facto é dele que se está a falar. Aparece bem vestido e não tem que comer. Fala com um sotaque estranho, para se tentar identificar num círculo a que não pertence. Tenta a fama, para tentar pelo menos, fazer parte de algum grupo, já que aquele a que ele ambiciona pertencer, está-lhe vedado.
A verdadeira educação deveria prender-se com o saber respeitar os próximos. Por exemplo: saber respeitar os outros condutores. Não andar obcecado com aprender a segurar uma xícara de café sem o mindinho espetado (confesso que nesta altura, já não sei qual deles é sinónimo de educação).
segunda-feira, março 15, 2004
A Balbúrdia do Sul
Se o Presidente da Câmara de Lisboa, Pedro Santana Lopes, parece ter falhado no seu plano de devolver Lisboa aos lisboetas, ou pelo menos de atrair pessoas à cidade, até certo ponto foi bem sucedido. Aquele túnel não vai trazer apenas as pessoas à cidade, mas muito mais carros.
O antigo presidente da Câmara de Lisboa, João Soares, que criou tantos parquímetros, deve estar a considerar, agora, a oportunidade que perdeu... mais carros, mais estacionamentos, mais dinheiro...
Infelizmente, trazer dinheiro à Câmara, ou a quem quiser, não vai ser obra fácil. Muito pelo contrário. Neste momento, e num verdadeiro espírito democrático, Pedro Santana Lopes parece ter achado que já que os carros não andam, pois então as pessoas não andarão. E assim se fez.
Hoje a Praça do Marquês de Pombal é um verdadeiro labirinto de caminhos e desvios. Para quem não tem muito que fazer, nomeadamente os turistas que vêm à descoberta, acredito que seja dos passeios mais entusiásticos, tentar atravessar a Praça Marquês de Pombal, hoje, e sabe-se lá até quando.
À boa maneira portuguesa, e nem de outra forma isto teria piada, os antigos caminhos estão cortados e vêm-se umas placas amarelas que têm escrito 'desvio', ela está lá... a placa, entenda-se... porque o desvio vai dar a um caminho sem saída. Em vez de indicar qual o caminho mais rápido para uma pessoa se mover, a sinalização limita-se a informar que existe um desvio. Onde vai dar, como vai dar, e se interessa ao peão, isso é um assunto que a ninguém diz respeito.
Ao pobre Marquês foi-lhe dado um papel muito sectarista, pois anda espalhado pela cidade, em folclóricos cartazes, indicando aos automobolistas (num tom deveras autoritário) qual o melhor caminho a escolher, ao passo que os alegre peões, que chegam à Praça Marquês de Pombal, e que àquelas horas da manhã não o devem estar muito, têm de adivinhar por sua própria conta qual o caminho a tomar.
E se dantes eram só os carros que ficavam presos naquela rotunda, hoje são todos. Um alegre festival de gente, que passa por cima de barreiras de cimento, que procura uma orientação e não sabe para onde se virar.
Melhor ainda é o facto de algumas paragens de autocarro terem sido mudadas para o outro lado da praça e nada ter sido informado... nem que as paragens se mudaram, nem para onde. O que leva a considerar um milagre, pois tal só se pode ter dado pela intervenção divina, que nunca explica as suas acções... ao contrário dos bons responsáveis dos nossos transportes públicos.
Durante anos, Lisboa foi um estaleiro. Este ano, Lisboa é uma confusão.
A preocupação com os automobilistas não é a mais aconselhável, nem sequer é a melhor solução. O túnel vai servir, essencialmente, quem vive fora de Lisboa. E quem vive fora da cidade, não vota nela.
Quem vive na cidade, e principalmente na zona do Marquês de Pombal, tem de levar diariamente com barulho, poeira, pessoas irritadas, e viver uma confusão permanente. E se calhar... esses votam na cidade... e se calhar... não precisam de um túnel para nada.
Se o Presidente da Câmara de Lisboa, Pedro Santana Lopes, parece ter falhado no seu plano de devolver Lisboa aos lisboetas, ou pelo menos de atrair pessoas à cidade, até certo ponto foi bem sucedido. Aquele túnel não vai trazer apenas as pessoas à cidade, mas muito mais carros.
O antigo presidente da Câmara de Lisboa, João Soares, que criou tantos parquímetros, deve estar a considerar, agora, a oportunidade que perdeu... mais carros, mais estacionamentos, mais dinheiro...
Infelizmente, trazer dinheiro à Câmara, ou a quem quiser, não vai ser obra fácil. Muito pelo contrário. Neste momento, e num verdadeiro espírito democrático, Pedro Santana Lopes parece ter achado que já que os carros não andam, pois então as pessoas não andarão. E assim se fez.
Hoje a Praça do Marquês de Pombal é um verdadeiro labirinto de caminhos e desvios. Para quem não tem muito que fazer, nomeadamente os turistas que vêm à descoberta, acredito que seja dos passeios mais entusiásticos, tentar atravessar a Praça Marquês de Pombal, hoje, e sabe-se lá até quando.
À boa maneira portuguesa, e nem de outra forma isto teria piada, os antigos caminhos estão cortados e vêm-se umas placas amarelas que têm escrito 'desvio', ela está lá... a placa, entenda-se... porque o desvio vai dar a um caminho sem saída. Em vez de indicar qual o caminho mais rápido para uma pessoa se mover, a sinalização limita-se a informar que existe um desvio. Onde vai dar, como vai dar, e se interessa ao peão, isso é um assunto que a ninguém diz respeito.
Ao pobre Marquês foi-lhe dado um papel muito sectarista, pois anda espalhado pela cidade, em folclóricos cartazes, indicando aos automobolistas (num tom deveras autoritário) qual o melhor caminho a escolher, ao passo que os alegre peões, que chegam à Praça Marquês de Pombal, e que àquelas horas da manhã não o devem estar muito, têm de adivinhar por sua própria conta qual o caminho a tomar.
E se dantes eram só os carros que ficavam presos naquela rotunda, hoje são todos. Um alegre festival de gente, que passa por cima de barreiras de cimento, que procura uma orientação e não sabe para onde se virar.
Melhor ainda é o facto de algumas paragens de autocarro terem sido mudadas para o outro lado da praça e nada ter sido informado... nem que as paragens se mudaram, nem para onde. O que leva a considerar um milagre, pois tal só se pode ter dado pela intervenção divina, que nunca explica as suas acções... ao contrário dos bons responsáveis dos nossos transportes públicos.
Durante anos, Lisboa foi um estaleiro. Este ano, Lisboa é uma confusão.
A preocupação com os automobilistas não é a mais aconselhável, nem sequer é a melhor solução. O túnel vai servir, essencialmente, quem vive fora de Lisboa. E quem vive fora da cidade, não vota nela.
Quem vive na cidade, e principalmente na zona do Marquês de Pombal, tem de levar diariamente com barulho, poeira, pessoas irritadas, e viver uma confusão permanente. E se calhar... esses votam na cidade... e se calhar... não precisam de um túnel para nada.
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